sexta-feira, 14 de maio de 2010

Porque Engordamos?

Beliscar o tempo todo e consumir alimentos lotados de calorias.
A essa receita básica para obter um corpo obeso os especialistas
acrescentam um quê de genética e a ação de hormônios.

homem primata há cerca de 2,5 milhões de anos, a carne entra no cardápio. Ela vira uma importante fonte de proteínas e gorduras. Até então, presume-se, nossos antepassados eram vegetarianos.

A obesidade já ganhou proporções de uma epidemia e esse dado pesa na consciência de alguns cientistas que, não faz tanto tempo assim, a consideravam uma espécie de desvio de conduta. O preconceito, de certa maneira, retardou pesquisas sobre os reais motivos que levam a silhueta a inflar. "A obesidade é um mal crónico em que há um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético", a endocrinologista Gabriela Saraiva, do Hospital São Luiz, em São Paulo. "A energia extra é estocada na forma de gordura, que, em excesso, prejudica a saúde.

A obesidade já ganhou proporções de uma epidemia e esse dado pesa na consciência de alguns cientistas que, não faz tanto tempo assim, a consideravam uma espécie de desvio de conduta. O preconceito, de certa maneira, retardou pesquisas sobre os reais motivos que levam a silhueta a inflar. "A obesidade é um mal crónico em que há um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético", a endocrinologista Gabriela Saraiva, do Hospital São Luiz, em São Paulo. "A energia extra é estocada na forma de gordura, que, em excesso, prejudica a saúde.

Perna, pra que te quero ?

No século XIX, surgem meios de transporte, como carros e bondes, que dão a largada para o sedentarismo. O homem já não caminha como antes.

Um dos métodos para averiguar se essa gordura está exagerada ou não é calcular o índice de massa corporal, ou IMC (caso queria saber o valor do seu IMC é só clicar no botão testes para fazer o cálculo). Nos obesos ele fica sempre acima de 30. O.k., um dos motivos seria comer demais. "Durante milhares de anos, o homem sofreu com a escassez de comida", diz o endocrinologista Mareio Mancini, do Hospital das Clínicas de São Paulo. "A partir do século passado, a abundância de alimentos e o sedentarismo crescente contribuíram para a disparada do peso. A obesidade é resultado dos tempos modernos".

Quarteto da pesada

Alguns genes precisam ser colocados nessa balança. São quatro os principais envolvidos: o ADRB3, que tem a ver com a síntese de gorduras e também com a capacidade do organismo de queimar calorias; o PPAR-Y, importante para o processo que os cientistas chamam de adipogênese, o acúmulo de gordura no corpo; o co-ativà-dor l do PPAR-y; e, por fim, o gene da adiponectina, ambos relacionados aos gastos energéticos. Mas não vá botando a culpa nessa sopa de letrinhas. Estilo de vida conta muito — talvez mais do que tudo. O endocrinologista Marcos Tambascia, da Univesidade Estadual de Campinas, no interior paulista, reconhece que alguns males genéticos apresentam, em seu quadro de sintomas, uma cintura farta. "No entanto, filhos de pais magros adotados por obesos acabam engordando com o tempo", lembra o médico. "O ambiente pesa bastante".

Mais conforto e calorias nos anos 1950 os alomentos industrializados começam a abarrotar as prateleiras dos mercados.

Surge ainda a fast-food. Sem ter de esperar tanto pelo preparo, fica mais fácil comer a todo instante.

Acredita-se que, no organismo obeso, alguns hormônios estariam em desequilíbrio. Nesse território, muito gorducho vive falando mal da própria tireóide. Na maioria das vezes, é pura injustiça com essa glândula situada no pescoço. 0.k., seus hormônios têm a ver com uma metamorfose importante. Sem eles, nutrientes não seriam transformados em energia.

Portanto, uma tireóide preguiçosa, como diz o povo — caso de hipotireoidismo, como preferem chamar os médicos —, levaria a um menor gasto de energia e, sim, a uma maior tendência a engordar. Mas vamos às estatísticas: só 5% dos obesos têm o problema.

Há outros hormônios em voga quando o assunto é obesidade. Eles teriam mais a ver com o apetite. A lista é grande: leptina, insulina, GHrelina, hormônios pró-melanocorticotrófico...

Dessa relação, o endocrinologista Geraldo Medeiros, professor da Universidade de São Paulo, destaca a insulina. "Ela é o principal causador da obesidade", acredita. "Quando não age direito, o corpo gasta menos energia e, ao mesmo tempo, requer mais carboidratos".

Já o primeiro nome da lista, a leptina, foi até rotulado de hormônio da obesidade.

Produzida no tecido adiposo, a leptina cai no sangue rumo ao hipotálamo. "Nessa área do cérebro, participa da regulação do apetite e da saciedade", conta o fi-siologista Fábio Bessa Lima, da USP. Em tese, ajudaria a manter o corpo na linha. Na prática, para o obeso a história pode ser outra.

Sedentarismo no final do século XX, a tecnologia cria controles remotos, computadores e outros recursos que fazem o homem passar cada vez mais tempo sentado. A obesidade cresce assustadoramente.

GORDO RESISTENTE

"Os obesos possuem um tecido adiposo hipertrofiado", explica Bessa Lima. "Daí, produz mais leptina do que o normal e, como resposta, o organismo passa a resistir a sua ação". Há ainda a hipótese de que a obesidade diminuiria o número de receptores do hormônio ou poderia torná-los. defeituosos. Uma coisa é certa: situações de ansiedade também levam o corpo a resistir à substância. "Nesses momentos, a leptina parece deixar de agir e o paciente, mesmo depois de comer,continua faminto", diz o endocrinologista António Roberto Chacra, da Universidade Federal de SãoPaulo. Como e por que isso acontece ainda é um grande mistério. Mais um enigma pra lá de complicado na complexa química que envolve a obesidade.

Gordo sofre!

Das articulações aos vasos sanguíneos, as consequências de arcar com a gordura extra.

Diabete

Como seu corpo tende a produzir níveis elevados de insulina, o obeso pode desenvolver resistência ao hormônio. Isso abre alas para a doença.

Articulações

O sobrepeso causa dores e desgastes. Ou seja, os mais gordos ficam sujeitos a meles como a artrose.

Sistema circulatório

A gordura dispara a pressão e favorece o surgimento de doenças coronarianas. O sangue, carregado de moléculas gordurosas, circula mais devagar, o que também aumenta os riscos de varizes.

Sistema respiratório

Os obesos têm mais dificuldade para respirar e sofrem de apnéia do sono, isto é, interrompem a respiração por alguns momentos enquanto dormem.

Sistema endócrino

Nas mulheres obesas, os ovários descarregam mais estrogênio, o que atrapalha a fertilidade e o ciclo menstrual. Além disso, a dosagem extraordinária desse hormônio feminino favorece tumores de útero e de mama.

Bibliografia: Consultório de Endocrinologia e Obesidade disponível em :http://www.endocrinologiaeobesidade.com.br/porque.htm, acessado em 14/05/2005.

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